quarta-feira, 7 de abril de 2021

Leitura: Ernest Hemingway

Já estou no meu 4. livro de Ernest Hemingway. Gosto da descrição das coisas, sinto o tom dramático de quem conta uma história e quer ser levado a sério. Deve ser porque lembro muito do filme do Woody Allen, "Meia-noite em Paris", em que uma representação do autor é feita. Li que ele foi representado como uma caricatura. Não concordo, foi uma homenagem. O Hemingway que vejo ali tem um pouco dos personagens dele, o tom dramático ao qual me referi no começo, os temas recorrentes nos livros: as guerras, o boxe, as descrições detalhadas quando ele vai contar uma história. O ator, por sinal, é bem bonito, fui até procurar uma foto do Hemingway, e condiz. Uma coisa que achei interessante, no filme, Zelda Fitzgerald diz que Hemingway não vai com a cara dela, não nesses termos, mas ela sente uma implicância dele. E lendo os livros, sempre tem uma personagem feminina complexa. Poderia até enxergar uma Zelda. Não sei, preciso conhecer melhor para poder entender essa relação. Mas lendo um pouco aqui, descobri que Zelda morreu num incêndio, num hospital onde estava internada, em Asheville, Carolina do Norte. E eu morando aqui na Carolina do Norte há menos de 1 ano, já fui até Asheville, está na hora de começar a explorar essa autora também. Pra você ver, este mundo da literatura não tem fim, é um universo maravilhoso a ser explorado: a história do livro e seus personagens, a história do autor...




quinta-feira, 25 de março de 2021

O dia que tomei minha vacina

   Vacina com hora marcada, fui até o shopping (um dos postos de vacinação aqui é no shopping, eles separaram grandes auditórios para isso). Ainda no estacionamento, com o rádio ligado, na estação que toca hits antigos, começou a tocar I'll survive. Chorei um pouco. Se fosse na versão da Célia Cruz, eu desabava de chorar.
   Já na porta, uma senhora de vest amarela me pergunta se vim pela vacina, só você olhar para cara de algum dos muitos voluntários, que eles já orientam, e me apontou outro voluntário que estava na próxima esquina. E assim fui de voluntário a voluntário, só seguindo o caminho por eles indicado. Ninguém se perde, não precisa falar mais nada, só olhar e agradecer. Na entrada, você dá seu nome e o horário, cheguei 30 minutos antes, mas não tem problema. Me indicaram uma pequena fila, com distanciamento, que corria rapidamente. Na fila escutei muito espanhol, havia intérpretes, que eram solicitados a todo momento. Ali recebi um panfleto com perguntas como "teve sintomas", "tem alguma alergia"... era só para ler, não precisava preencher, só responder para a pessoa que ia fazer uma carteira de vacinação para mim. Para preencher a carteira, só pediram um geral das respostas do panfleto (eles perguntam se é tudo "não", para mim era tudo "não"), meu nome, data de nascimento. Depois de pegar minha carteira de vacinação, fui para um dos auditórios. Lá estavam dispostas cadeiras (dessas dobráveis), o pessoal do exército fazia tudo, organizava a disposição das pessoas, limpava as cadeiras assim que um levantava e ia embora. Me indicaram uma cadeira e pediram para esperar. Um carrinho (tipo desses para servir em hotel, restaurante) e dois profissionais passavam, de cadeira em cadeira, aplicando a vacina. Fui devidamente vestida para tomar vacina, blusa sem manga e casaquinho (tem gente que vai de moletom, ok, prefiro facilitar minha vida). Anotavam num papelzinho o horário que eu poderia ir embora (contando os 15 minutos para ver se eu apresentava alguma reação alérgica). Nesses 15 minutos de espera, outra pessoa passa na tua cadeira e já agenda a segunda dose. 
   Depois disso, só ir embora. Saí agradecendo a quem pude. 
   Ganhei um adesivo, mas deixei guardado. A gente fica feliz, mas triste por nem todos terem a mesma oportunidade pra já. 






terça-feira, 16 de março de 2021

Cabelos

   Meus cabelos brancos estão começando a aparecer. Nunca pintei, nem fiz luzes, nenhum procedimento. Tenho preguiça de ir ao salão. Chego lá, digo como é corte, faço o básico. Não tenho papo pra puxar. Em português, já era assim; em inglês, com máscara, sem expressão na cara, é pior. Vejo aqueles cabelões todos, as moças falam com a ponta dos dedos-acabei-de-fazer-a-unha, riem, melhores amigos. Sério, sou vaidosa, mas não é meu mundo. Fico imaginando quando tiver que apelar pra química, sim, não quero assumir os brancos. Coisa minha.
   Fui cortar o cabelo esses dias, ele está curto para médio. Pensei: talvez eu deva deixar crescer, para vê-los mais uma vez compridos e com a cor natural. Então não fiz muita coisa, aparei, cortei um pouco de franja que posso jogar para trás. E minha cara ficou a mesma. 
   Estou atrás de um tonalizante pra testar, ainda não achei nada prático ou em destaque na mídia. Por isso, estou atrás de dicas. Minha amiga indicou uma moça que parece que fez propaganda de um produto, que eles indicam a cor apropriada. Perguntei, ainda não tive resposta. Não achei o post, mas achei um post sobre shampoo. Comprei o shampoo e condicionador (coisa que quase não uso). Testei hoje. Cheiro bom, o brilho do cabelo está bonito, gostei e tals, mas isso geralmente acontece quando mudo de shampoo. Vou acompanhar as próximas lavagens.
Quem tiver dica de tonalizante, que cubra os primeiros brancos e mantenha a cor do cabelo, estou aceitando.








sábado, 13 de março de 2021

1 ano de "Fique em casa"

   Dia 16 vai fazer 1 ano do nosso começo do "Fique em casa". Essa foi a nossa data, foi uma segunda-feira. No fim de semana anterior a esse dia (dias 14 e 15), decidimos começar nossa mudança física de Maryland para North Carolina. Já estávamos em High Point (NC), nossa casa já tinha sido colocada à venda, a casa nova ficaria pronta só em agosto, moraríamos alguns meses num lugar temporário. 
   Naquele fim de semana tudo estava confuso com a perspectiva de um lockdown. O estresse foi demais para mim, chorei, tive crises de ansiedade. Muitas empresas estavam decidindo manter seus funcionários em home office, foi o que aconteceu com a gente. Nós que tínhamos levado bagagem (incluindo um grande pack de papel higiênico, item que desapareceu dos mercados por alguns meses) para passar uma temporada e começar a adaptação, voltamos pro lugar seguro, nossa casa em Maryland. Respirei mais aliviada, começando nosso "Fique em casa", no lugar que era referência de lar até ali.
   Com mais calma, uma coisa de cada vez... vendemos a casa, mudamos por 1 mês e meio para um lugar temporário, esperando nossa casa ficar pronta. 
   Em 1 de agosto, casa novinha em folha. Uma página em branco para pintar e fazer dela a nossa cara. Esse novo lar foi se transformando num lugar aconchegante. Eu que gostava tanto de sair pra jantar, experimentar, comecei a buscar os sabores em casa mesmo, explorando receitas, fotografando, acompanhando João no dia a dia, aprendendo a manter a casa um lugar de trabalho, de convivência e equilíbrio. Nosso refúgio em meio ao caos. Um caos não tão visível para nós, um caos que chega por meio das notícias de números recordes. Sentimos, é claro, o não pode ir e vir, de cara limpa; João não poder ir à escola, conviver com crianças, fazer amigos. 
   Aqui nos EUA estamos vendo a luz no fim de túnel, a vacinação está acontecendo, logo será a nossa vez. Mas, no Brasil, a coisa vai mal. Minha mãe que precisa de tratamento médico se arrisca toda vez que vai ao hospital. Não tenho ideia de quando poderemos ir para o Brasil com segurança, mesmo vacinados, podemos transmitir para quem não foi vacinado.
   Esse é nosso cenário atual, depois de 1 ano de Fique em casa.


sábado, 6 de março de 2021

Pensamentos soltos em forma de texto

   Todo dia, quando acordo, penso: Tenho duas opções "vamos acelerar e fazer render o dia" e já vou dando ordens, "vamos devagar e deixar acontecer naturalmente", e relaxo sorridente começando pelo Bom dia. Opto pelas duas, e ando cansada. É um pouco de cansaço físico, mental, angústia, tentando ver a luz no fim do túnel, mas nada que me faça parar e desistir, sigo em frente. Não sei como andam os casos de Covid por aqui, pouco saio, encontro uma família ou outra, sempre dou um intervalo. Me pergunto até como vai ser quando voltar tudo ao normal, não acho ruim essa selecionada. Até gosto de festas grandes, que você bate uma social em ciclos e conversas superficiais, mas tenho me identificado com reunião pequena, um a um.
   Hoje não sabia se ia pra rua correr, se ficava na minha bike, a aula de Barra ia rolar de qualquer jeito. Achei que a corrida ia me ajudar a ficar com os pensamentos soltos, a dar aquela limpada. Outro dia saí, e um cachorrinho da vinhança veio me latindo nas canelas, terceira vez já. Acho um saco, respeito todos bichinhos, respeito dono de bichinhos, mas pô, não sou obrigada a levar corridão de cachorro. Outro vez foi um Chiuaua, é claro que a mordida vai ser pequena, que eu sou muito maior que ele, mas... coisa chata! Do Chiuaua foi até engraçado porque ele tava no colo da dona, ela tava segurando, ele deu um pulo e atravessou a rua atrás de mim, valente. Dessa vez, o cachorro era maior, sapateei no chão e fiz Shhhhhhh!, o bicho recuou, a dona não gostou. Mas agora descobri como me defender. Isso pra cachorro pequeno porte, pros grandes, se eu avisto de longe, já dou meia volta. Ai, ai.
   Vi uma foto de uma fila para vacinação da terceira idade, muito carros, lá na minha cidade. Minha primeira impressão foi: "Pôxa, que bacana! A galera foi se proteger". Quando leio um comentário: "Povo chato reclamando de fila...". Engraçado como cada um interpreta as coisas.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Obrigada, Batedeira velha!

   Estou me despedindo da minha velha batedeira, que eu trouxe do Brasil, e ainda uso com um adaptador para conectar na tomada. Foi um presente. Eu pouco utilizava a batedeira, costumo fazer tudo à mão. Mas como estou experimentando receitas novas, achei que era o momento. O que me fez tomar a decisão final foi a receita de esfiha de carne da Isamara Amâncio (a foto está no meu Instagram: @joujou.melendres). Senti, ao sovar aquela massa, que o resultado final poderia ter ficado melhor com uma batedeira com o gancho apropriado.
   Quando chegamos há 8 anos (e alguns meses) atrás, a primeira coisa que batemos o olho nas promoções sazonais, foi a batedeira da KitchenAid. O preço baixava, parecia atrativo, a batedeira chama a atenção, é bonitona! Mas eu não ficava convencida, deixava pra uma outra oportunidade. 
   Nesses tempos de pandemia, alguns modelos já estão em falta até online, por isso não vale muito a pena ir em lojas para procurar variedades, modelos e afins. Pesquisamos preços, tudo meio parecido, escolhemos no site da KitchenAid um modelo azul-claro (tinha azul-escuro lindo, mas só estava disponível em outubro), chega este fim de semana.
   Pra me despedir da batedeira antiga e amiga, resolvi fazer um bolo embrulhado de coco. Me traz boas lembranças, eu e minha irmã gostamos muito. Fiz apenas uma vez, lá no comecinho, até postei (link logo abaixo). Minha irmã fez uma ilustração. Naquela receita eu dei uma adaptada com produtos que eu encontrava no mercado. Agora que eu (acho que) já sei onde achar tudo, peguei uma receita oficial, da Rita Lobo. 
   Gente, eu tava mega atrapalhada ontem, derrubando as coisas, bagunceira. João queria fazer comigo, fomos quebrar os ovos, a primeira gema já vazou... e eu tinha que bater primeiro as claras, enfim... estava trabalhando cheia de culpa e irritação. Culpa por não dar atenção a ele, e irritação por as coisas saírem fora do planejado. E nessas horas fico contando com a sorte, se der certo, deu. Só sei que não usei o suporte da batedeira, fiquei segurando com a mão aquela parte que leva as pás e trabalhando ali nas claras em neve, inseri as gemas, o açúcar... desliguei, deixei encostado e fui até a pia, rapidinho. Quando virei, a batedeira, o pote com ovos e açúcar foram inteiros pro chão. Pensa na alegria. Parei tudo. Fui limpando, pensando em desistir, pensando na frustração... Quando estava tudo aparentemente organizado, resolvi começar denovo. Peguei o suporte que não havia pego antes, e lá fui eu denovo. Fiz a receita conforme as instruções da Rita Lobo, tinha a receita da Carole Crema também, bem parecida, mas levava mais açúcar na massa. Na hora de molhar o bolo, achei líquido demais, diminuí um pouco do leite... e depois quando fui cortar o bolo, achei que absorveu bem, e talvez faça falta. Pensando nisso, em alguns pedaços, eu fiz uma mistura de Baileys e leite de coco e dei mais uma molhadinha no bolo. Ainda não comi. Volto aqui para dizer o resultado.

Meu primeiro texto sobre Bolo Embrulhado:







sábado, 13 de fevereiro de 2021

Dona de casa

Você evita se autodefinir dona de casa?
Eu sim. Mas, por quê?
Não sei, talvez seja pelos outros, pela sociedade de modo geral.
As próprias mulheres olham de cima a baixo, 
Intitulam a você um prendada, caprichosa... 
Gente, certas palavras não funcionam como elogio, pelo menos pra mim.
Não são ofensa, é claro, mas alguém já ouviu o "prendada e do lar" que gerou polêmica?

Mas, vou dizer, se fosse só por mim, diria, eu me sinto privilegiada.
De poder cuidar do que é nosso, de administrar a casa, de fazer a casa cheirar a pão, feijão, roupa limpa, pinho sol.
E o que mais importa: 
Ter ao meu lado alguém que realmente valorize quem eu sou e o que faço. Isso faz total diferença!  

Mas daí vão perguntar seus planos, conversar sobre ambiente de trabalho...
Desafios, tretas, confusões e você não faz parte daquele meio... 
Vai acrescentar o que no mundo dos negócios? 
Qual palpite dar?
Sei lá, na hora prefiro ficar muda... aliás, muitas vezes prefiro ficar muda.
Escutar e tentar pescar alguma inspiração.
Escutar e tentar alguém para me identificar.
Deve ser por isso que minhas interações sociais
Funcionam por duas horas. 
Eu não aguento muito. HAUHAUAHUAHA!

Tenho minhas frustrações?
Sim.
Penso no futuro?
Sim.
Tenho meus sonhos?
Óbvio.
Um dia posso voltar ao mercado de trabalho remunerado e oficial.
Um dia posso ter meu negócio.
Posso ser uma escritora ou fotógrafa de sucesso.
Sei lá.
Eu vivo meu status Dona de Casa
O dia que ele for reconhecido unanimemente como importante
Talvez eu pare de me questionar tanto.