quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Salvador, Bahia - o retorno

Primeira vez que fui a Casa do Rio Vermelho 


O retorno a Salvador veio acompanhado de uma alegria ansiosa para que tudo desse certo. A peça A Casa dos Budas Ditosos ia ser apresentada no Teatro Castro Alves, 30 minutos de Itapuã, onde estamos. Correu tudo bem com o transporte da ilha até aqui. Cheguei a tempo de me trocar e pegar um táxi. Lá ainda pude comer pão de queijo e tomar uma taça de vinho. A peça foi incrível, o talento da Fernanda para dar vida a personagem da “baiana libertina” é demais! Que privilégio poder ter vivido este momento tão especial. 
   Agora voltando pro hotel, gente, estou na Casa DiVina (vou falar deste lugar em outro post)! Literalmente, casa que um dia abrigou Vinicius de Moraes. Fui pisando esse chão devagarinho porque é muita coisa pra ver, muitas emoções pra um coração, é precisar parar e respirar cada detalhe. Tomei café ali hoje! Li histórias, vi anotações e vou ter mais dias para ver, rever, descobrir o que não vi hoje.


  Segunda - Tivemos um dia livre hoje. Sem compromisso fomos no horário que deu no Farol da Barra, a ideia era ir lá com João e depois almoçar no shopping Barra, no mesmo restaurante árabe que fomos das outras vezes. João não deixou uma migalha pra contar história.
O resto da tarde foi tarde de shopping mesmo. Mão feita, sacolinhas, comida pra levar pra janta, sobremesa da Além Mar. Foi um dia pra relaxa.


  Terça - foi dia de Museu da Misericórdia lá no Pelourinho, que lugar lindo! A arquitetura, amei as escadarias e janelões com vista pro mar. E a capelinha foi uma das mais bonitas que já vi! Vá preparada para fotos maravilhosas porque cada esquina é um flash. Dali, a poucos passos, fomos em direção ao Palacete Tira Chapéu, o elevador Lacerda é por ali também. O espaço do Palacete abriga restaurantes, algumas lojinhas, tem um lugar para shows. Subimos ao roof top para o pôr do sol. Fiz reserve no Pala7 do Claude Troisgo, que é restaurante do roof top, não havíamos almoçado, então jantamos por lá. Olha, pelo prato que escolhi, não achei que valeu a pena jantar. Ficaria só no drink, entradinha e pôr do sol, que é realmente lindo dali!


Quarta - Hoje foi o dia da emoção nível hard. Foi o dia de visitar o lugar e a história que me trouxeram aqui.

Comecei a ler Zélia Gattai depois que saí da faculdade, folheando alguns livros num pequeno acervo, “Um Chapéu para Viagem” me chamou atenção. Li e adorei as histórias, percebi que li fora da ordem cronológica dos fatos, fui atrás dos outros livros na Biblioteca. Li, reli, comprei os livros, naquela época, Zélia ainda morava no Rio Vermelho. Com o endereço em mãos (descobri por um dos livros), mandei cartões, e ela respondeu muito carinhosamente. Vim conhecer a Bahia, a Fundação Jorge Amado. E chegamos a vir à Bahia mais duas vezes, na última delas, havia o projeto da Casa do Rio Vermelho virar museu, fomos até lá, mas estava fechado para reformas. Consegui tirar uma fotografia da plaquinha que fica na frente da casa, e ela cita nos livros, e outra na escada numa das entradas.
Depois disso fomos morar nos EUA, e nossas vindas para o Brasil eram majoritariamente para o Sul, de onde somos e nossos familiares. Nos últimos anos senti a necessidade de voltar a viajar pelo Brasil, descobrir outros destinos aqui e voltar a lugares que já fui. E ao escolher um modo de celebrar meu aniversário, resolvi voltar à Bahia e revisitar alguns lugares deste lugar querido. E é claro, o principal objetivo era visitar a Casa do Rio Vermelho.
Hoje realizei este sonho, e aproveitei cada instante, tentei observar cada detalhe, estar ali numa casa cheia de boas lembranças, é como eu também tivesse vivido aquilo também. Chorei nas primeiras salas, sentei perto do gatinho Picolé, escutei os depoimentos e senti um orgulho enorme de ter e escolhido este lugar e poder dividi-lo com as pessoas que amo. 
Do Rio Vermelho passamos pelo Ceazinha, um mercado municipal, ótimo para comprar frutas, verduras, cocadinhas, comer local. Adoramos!
Viemos almoçar aqui para os lados de Itapuã, no restaurante Mistura. Deu para ir a pé. Pratos maravilhosos, lambemos os beiços, não sobrou nada pra contar história. E aqui seguimos.

Quinta - E eu que achei que já tinha vivido todas as emoções desta viagem. 

Hoje fui assistir ao bate-papo da Paloma Jorge Amado, Rafael Dantas e Angela Fraga sobre os 40 anos da Fundação Jorge Amado. Eu havia escrito uma cartinha a Paloma a alguns meses, ontem deixei uma lembrancinha para ela na Casa do Rio Vermelho, mas não queria ser invasiva. Chegamos uns minutos antes do bate-papo começar, o espaço aconchegante abriga 50 pessoas, aproximadamente. Sentamos, ela terminou a entrevista que estava dando e veio conversar com uma senhora a minha frente. Flavio me encorajou e eu me apresentei. Fui recebida com muito carinho e ao perguntar o nome de meu filho, ela contou uma breve história sobre o filho de Erico Verissimo, no caso LFV (aiii meu coração!): “Papai quando foi conhecer o Luis Fernando, falou: Mas, Erico, ele tem cara de João. E sempre o chamava de João.” Paloma nos contou que LFV visitou o irmão dela em Paris, e que o irmão o chamava de João também. Ambos, João.

Ficaria uma eternidade sentada ao lado dela só ouvindo essas histórias.

No final do bate-papo do evento, ela me presenteou com um livrinho feito por ela, muito fofo, de crônicas escritas por ela. Adorei!

E assim realizei por completo o sonho de celebrar meus 50 anos pertinho desta família amada.

Depois disso, eu, Flavio e João fomos em busca do livro que acabou de ser lançado “Cartas - Erico Verissimo e Jorge Amado” e finalizamos com um almoço no restaurante maravilhoso.


A foto atualizada


Para mais  fotografias: @joujou.melendres






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