sábado, 8 de agosto de 2026

Casa DiVina - a escolha do hotel

 
Casa Di Vina, Praia de Itapuã.


O hotel Casa DiVina foi o escolhido para ficarmos em Salvador. Ele é mais distante dos pontos de referência turísticos, como Pelourinho, a Barra, onde costumávamos ficar, mas é muito confortável, tem uma vista linda, fica de frente ao farol e ao mar de Itapuã, e o principal motivo que me arrebatou: ali morou Vinicius de Moraes e a atriz baiana, Jesse. 
Toda a história contida naquele lugar, a piscina em formato de bunda, o bar Pique (Jesse sugeriu este nome, e o bar foi feito por causa do entre e sai na casa, o bar ficou para receber os visitantes, e na verdade ela queria dizer: “se pique daqui”).
A casa continua lá, preservada, e nela funciona o restaurante e tomamos nosso café da manhã todos estes dias.
A escada de madeira original leva a um acervo com muita história, fotos, objetos, frases pelas paredes. Pode-se ficar no quarto que um dia foi deles, no segundo andar, mas só comporta 1 casal. Pude visitar o quarto no dia que ia haver transição de hóspedes, lá vi a cama original, a vista maravilhosa dos janelões. No banheiro uma réplica da banheira, onde Vinicius concedia entrevistas ou tinha conversas informais com os amigos. O closet está lá, um armário com uísques. E toda a graça de ver de perto as coisas de quem um dia fez história num lugar tão fascinante como este.
Posso dizer que lembro dos meus primeiros versos de Vinicius nas revistas Capricho, naquela fase romântica da adolescência. Um pouco depois quando me apaixonei pela Bossa Nova lá estava ele, com os parceirinhos Tomzinho, Joãozinho, Toquinho e tantos outros. Um dos primeiros cartões que recebi de Flavio, ele foi na Biblioteca copiar os versos de “Para Viver um Grande Amor”, e sabendo desse meu carinho pelo poetinha, minha amiga Clau, me apresentou: “Para uma menina com uma flor”, que até hoje acho muito fofo!!


Segue um trecho do poema de Vinicius de Moraes, “Para uma menina com uma flor”:


“É porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta,
e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta e não concorda porque ele é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando.
E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.”


No dia mesmo do meu aniversário, como escrevi no post anterior, fui assistir a Paloma na Flipelô e viver todas aquelas emoções. Almoçamos no Dona Mariquita no Rio Vermelho. E à noitinha pegamos uma pizza bem fininha do restaurante do hotel, brindamos com uma espumante que compramos no Ceazinha do Rio Vermelho. E pra representar o bolo, achei mais original um quindim de maracujá do Casa Ópera (casa de chocolates e um café). 


Para mais fotos: @joujou.melendres 

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